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domingo, 29 de agosto de 2010

Pulseiras Bioquânticas - Verdade ou Mito?

        Quem não ouviu falar nas Pulseiras Bioquânticas? Sucesso no último ano em congressos, feiras, entre os famosos e na publicidade mundial, estas pulseiras possuem dois hologramas com um mineral chamado mylar contendo informação quântica que, quando em contato com a fonte de energia (o nosso corpo), provoca, de imediato uma harmonização de energia que proporciona o re-equilíbrio da carga de campo das células eletromagnéticas.
        Segundo um dos fabricantes a pulseira foi criada por uma cientista da NASA e fundamenta-se nos princípios básicos da teoria da física quântica, onde matéria é energia e que a energia forma e cria a matéria. Portanto, basta alterar a energia que logo se vê modificações físicas. O homem é composto por diferentes tipos de energias: mecânica (química, térmica e sonora), eletromagnética (elétrica, magnética e luminosa) e quântica, sendo este um excelente conversor de energia, só não tem consciência disto.
        Então basta entrar em contato com o corpo que o efeito é imediato. Os fabricantes prometem o aumento instantâneo do equilíbrio, da flexibilidade, da força, da concentração e do bem-estar, além depromover maior consciência e calma, maior o foco mental, ampliação da resistência e vitalidade, habilidade para lidar com stress e forma mais eficiente, aumento da energia física e desempenho, redução do Jet-lag de doenças e de movimentos, maior qualidade de vida global; grande imunidade natural contras os efeitos negativos gerados por telefones celulares, computadores e outros eletrônicos modernos, diminuição do acúmulo de ácido láctico no músculo, causando uma recuperação mais rápida e menos dor. Mas os resultados variam de pessoa para pessoa.
        Esses braceletes começaram a ser utilizados por atletas, com ícones do esporte como o do jogador de basquete Shaquille O’Neal, do jogador de futebol Cristiano Ronaldo ou mesmo do piloto de Fórmula 1 Rubens Barrichello, e logo, artistas foram fotografados com estas tiras de silicone adornadas com holograma como os atores Cauã Reymond, Alexandre Nero, Marcelo Antony, Marcelo Faria e Carol castro, virando uma “febre” no mundo todo.
        Porém, no ultimo dia 27 (sexta-feira), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISAsuspendeu a publicidade das pulseiras bioquânticas. A pulseira original americana da marca Power Balance e a genérica brasileira da marca Life Extreme estão sendo investigadas e deverão ser processadas por publicidade irregular, segundo Ana Paula Massera, gerente de fiscalização de propaganda da Anvisa. E informou que pode proibir o comércio das pulseiras no país.
        O que nos chama atenção não é somente a publicidade irregular, mas sim, a falta de argumentos científicos que comprovam a sua eficácia. Apesar das constantes referências a ‘hologramas quânticos’ e ‘campos energéticos’, o professor de Física da Universidade de Coimbra, Carlos Fiolhais, alerta para o fato de estes termos serem “uma confusão de palavras que, embora isoladas, possam, em alguns casos, fazer sentido, no seu conjunto não fazem sentido nenhum”. “O termo ‘energia quântica’ não significa nada. Só existem quatro formas de energia ligadas às quatro forças fundamentais que se conhecem: a gravitacional, a eletromagnética, a nuclear forte e a nuclear fraca. Na teoria quântica – que nos permite entender os constituintes fundamentais da matéria – podem entrar os três últimos tipos de força, mas nada disto tem a ver com pulseiras”. Como tal, “do ponto de vista da Física não há nenhuma razão para acreditar nos efeitos”, adianta outro especialista. Um estudo da Universidade Politécnica de Madrid concluiu: “as pulseiras Power-Balance não apresentam nenhum efeito sobre o equilíbrio”.
        Vanderli de Assis, que afirma ter criado o modelo brasileiro e se apresenta como professor de física da Universidade Federal de Minas Gerais (não há registro dele na universidade), diz que o holograma, formado por camadas de magnésio, alumínio, ferro e silício, “emite uma freqüência que gera estabilidade no campo eletromagnético do ser humano”. Assim, o corpo não seria afetado por freqüências externas como ondas de equipamentos eletrônicos, daí o maior equilíbrio do usuário, assim melhorando principalmente o desempenho nas atividades desportivas, embora saibamos que esta só pode ser melhorada com bons treinos, acompanhamento médico, alimentação adequada e bom estilo de vida, e que não há fórmulas milagrosas.
        Os seus sites são recheados de depoimentos de usuários relatando a sua experiência com o produto, mas estes podem ser explicados pelo efeito placebo. Por não esquecer a grande influência da mente sobre o nosso corpo reforçada pela convergência social de idéias sobre o artigo milagroso.
        Sabemos que essas pulseiras não fazem mal algum ao nosso corpo, mas não sabemos se realmente cumpre o que promete. Muitas pesquisas e testes científicos devem ser realizados antes de lançar um produto no mercado, mas com relação a este produto não encontramos. Por isso é sempre bom ter cuidado em pesquisar e informar-se sobre um produto antes de adquiri-lo.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

II CONCIFI

        Em seu início, a Fisioterapia baseava-se em métodos empíricos para determinar avaliações e tratamentos. Trabalhava, então, de acordo com observações dos fatos e dessa forma apresentava pouca ou nenhuma credibilidade, tanto para a sociedade quanto para o meio acadêmico e científico, pelo fato de não poder ser explicada de forma quantitativa.
        Logo se fez necessário adquirir tal credibilidade com os determinados grupos sociais e  dessa forma aderir aos metódos científicos para quantificar e explicar determinadas reações.
       Ainda hoje, a Fisioterapia compreende uma quantidade pequena de literaturas em algumas aréas de sua atuação e foi com este objetivo que O Congresso Cientifico de Fisioterapia foi iniciado: "Estimular e promover a divulgação do conhecimento tecnológico e científico da Fisioterapia no Brasil".  
       Em 2009 o ConCiFi foi realizado em João Pessoa, na Universidade Federal da Paraíba e demonstrou está muito bem preparado para disceminar o conhecimento científico da Fisioterapia atual. Cerca de 400 congressistas de toda região compareceram ao evento que apresentou um alto teor de conhecimento, maior prova é que 110 trabalhos foram aprovados e apresentados (em formato de Painel ou apresentação Oral) durante o encontro, além da presença de profissionais de renome na região para ministrar as palestras e mesas redondas. O congresso teve aceitação dos participantes como podemos ver no depoimento a seguir: "O Congresso foi excelente... Por experiência, eu recomendo é um evento muito bem organizado e aproveitem eles tem muito o que oferecer" (Aline Ferreira).
video

        Este ano o ConCiFi apresenta sua segunda edição e devido a apresentação do ano passado promete ser melhor e mais completo. Ele será realizado nos dias 05, 06 e 07 de Novembro tendo o dia 04 para a realização dos mini-cursos. As inscrições estão sendo feitas pelo site (Clique aqui) mediante o pagamento do devido valor:


Inscrições

01 de Julho a 15 de Agosto : R$ 120,00*

16 de Agosto a 25 de Setembro : R$ 140,00*

26 de Setembro a 04 de Novembro : R$ 160,00*
* 50% de desconto para estudante de graduação
* 25% de desconto para estudante de pós-graduação



 O envio de trabalhos ja se iniciaram e o prazo de envio se encerra no dia  
10 de setembro de 2010(Clique aqui!)
  

 PARTICIPEM!! 
MAIS UMA OPORTUNIDADE
DE VOCÊ APROFUNDAR SEU CONHECIMENTO
E DIVULGAR A EFICIÊNCIA DA
FISIOTERAPIA!

       Mais informações no site: www.concifiufpb.com.br/2010




segunda-feira, 23 de agosto de 2010

PUBALGIA

        Muitos atletas, desportistas, praticantes de futebol, corrida de longa distância entre outros, sentem aquela dor incômoda na região próxima à sínfise púbica, causada por sobrecarga, overuse, trauma direto ou algum golpe produzindo inflamação e dor. Estamos falando da PUBALGIA ou osteíte púbica. Importante realizar diagnóstico diferencial para averiguar possibilidade de fraturas do ramo inferior do púbis (fratura por estresse ou por avulsão) ou estiramento da musculatura interna da coxa na região da virilha.
        Para entendermos o mecanismo de lesão, devemos compreender a anatomia da região. O osso Ilíaco (popularmente conhecido como bacia) é composto por três partes: Íleo, Ísquio e o Púbis. O púbis é local de inserção dos músculos adutores e são eles, principalmente, além do reto anterior do abdômen que são envolvidos com a pubalgia. Os músculos desta região, especialmente seus tendões, ficam inflamados devido ao estresse repetitivo na região da sínfise púbica.
        Para diferenciar PUBALGIA de OSTEÍTE PÚBICA, devemos considerar o primeiro como sendo dor e inflamação das estruturas ao redor da sínfise púbica, como os tendões dos adutores e do reto abdominal, por exemplo. Em relação a osteíte púbica, o paciente refere dor, especificamente, sobre a região da sínfise púbica, sendo causada pelo estresse mecânico da mesma, podendo haver desnivelamento na sínfise (direita, esquerda).
        Os sintomas, geralmente, se assemelham aos de um estiramento muscular, e o atleta pode referir dor durante a corrida, os exercícios abdominais e os agachamentos. Além destes, o atleta/desportista pode sentir dor na região abdominal inferior, irradiando para região interna da coxa. Movimento de passada lateral, cabeceio, flexão quadril e do tronco podem ser dolorosos. A dor piora com o exercício, esforço ou com certas posturas, podendo ser sentida ainda ao subir escadas ou no impulso do quadril para frente. A dor pode ainda irradiar para o períneo, testículos e pode causar lombalgia quando associada a uma lesão da sacroilíaca. A dor e a hipersensibilidade podem ser reproduzidas por pressão ou estiramento da sínfise púbica, ocorrendo também sobre os tendões do adutor longo e do reto do abdômen.
        O diagnóstico é clínico, sendo confirmado por radiografia da pelve, para se observar instabilidade da sínfise púbica (alturas diferentes) em mais de 2mm, além de ressonância nuclear magnética para se observar as partes moles.

TRATAMENTO
• Repouso, Crioterapia (gelo), uso de antiinflamatórios orais e medidas da eletrotermofoterapia para minimizar a dor e acelerar a recuperação;
• Saindo da fase aguda, pode-se introduzir compressas de água quente sobre a região, promovendo vasodilatação e acelerando a liberação de encefalinas que podem ser benéfícas na diminuição da dor e no relaxamento da musculatura adjacente;
• Assim que a dor diminuir, iniciar com os exercícios de alongamento (sem dor), para os adutores (região interna da coxa);
• Desde que não causem dor, os exercícios de fortalecimento abdominal e da região lombar;
• Exercícios de fortalecimento dos adutores, abdutores, flexores e extensores do quadril;
• Exercícios de estabilização do tronco e da coluna vertebral;
• Exercícios no leg press e os semi-agachamentos, tensionando a musculatura glútea, a virilha, o abdômen e a região lombar. Esta técnica ajuda a controlar movimentação excessiva na sínfise púbica;
• Os exercícios de propriocepção(giroplano, balancinho, mini-tramp) e os funcionais específicos do esporte (giros, deslocamentos, mudanças de direção), desde que não haja dor, bem como, os exercícios pliométricos (saltos).
RETORNO ÀS ATIVIDADES
• Em casos mais brandos, o atleta/desportista, perderá 3 a 5 dias;
• Em casos mais graves, repouso e tratamento de 3 semanas a 3 meses, podendo demorar até 6 meses. Neste caso, não deverá retornar até ser capaz de realizar os exercícios pliométricos(saltos e deslocamentos);
• Se o tratamento conservador não for eficaz, deve-se considerar o tratamento cirúrgico.

BIBLIOGRAFIA
• CORRIGAN, B E MAITLAND, G.D. Prática Clínica Ortopedia e Reumatologia: Diagnóstico e Tratamento. Ed. Premier, São Paulo, 2000;
• PRENTICE, W. E. Técnicas de Reabilitação em Medicina Desportiva. 3ª ed. São Paulo, Manole, 2002

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Strain Couterstrain


Strain counterstrain (SCS) é uma técnica osteopática usado por osteopatas e terapeutas manual para o alívio da dor e disfunção músculo-esqueléticas associadas e de origem neuromuscular.

Foi descoberta e desenvolvida pelo Osteopata Lawrence Jones em 1964 na tentativa de aliviar a dor de um paciente com queixa de lombalgia intensa. Este já havia tentado vários tratamentos com diversos profissionais e não conseguia aliviar essa dor que lhe impedia de manter a postura ereta. Quando relatou que se conseguisse ao menos dormir, seria bom para ele, então Dr. Jones procurou a posição de maior conforto para que o seu paciente pudesse dormir, e ao levantar-se, este conseguia ficar em pé normalmente e a dor havia aliviado. Depois o Dr. Jones fez vários testes com a técnica e dedicou vários anos da sua vida ao estudo da posição de maior conforto para cada músculos.

A liberação posicional (Positional release terapy – PRT), como também é conhecida, consiste em um procedimento posicional passivo que coloca o corpo em uma posição de maior conforto, aliviando a dor pela parada da atividade proprioceptiva inadequada, reduzindo a irritabilidade do ponto sensível e normalizando os tecidos associados à disfunção.

A associação entre pontos sensíveis miofasciais e a disfunção musculo-esqueletica deve-se ao sedentarismo e a repetição ocupacional. Um número pequeno de músculos tende a ser utilizado em excesso, enquanto os demais tornam-se hipotrofiados, reduzindo sua capacidade de tolerar cargas ou tensões (D’Ambrogio e Roth5 2001).

A hipótese de a TLP apresentar resultados satisfatórios na redução da tensão sobre as ligações cruzadas colagenosas (sistema miofascial), parece ser proveniente da ruptura das ligações eletroquímicas e uma reconversão ao estado coloidal. Outras hipóteses seriam a alteração da condição da matriz fascial; equilíbrio de tensão do organismo ou uma redução dos estresses biomecânicos anormais com a estimulação dos receptores da dor. Portanto, a TLP parece ser capaz de aliviar a tensão tanto no nível neuromuscular como fascial (D’Ambrogio e Roth5 2001).

Segundo Irwin Korr (1975), o sistema gama pode facilitar descaras exageradas dos neurônios aferentes produzindo espasmo muscular reflexo o que fixa a articulação em uma determinada posição. Criando um ciclo dor- espasmo - dor. A aproximação da origem e inserção dos músculos, seja de forma ativa ou passiva, é capaz de diminuir ou até mesmo silenciar a descarga fusal.

Por tanto, os Fisioterapeutas e Osteopatas utilizam com frequencia esse recurso na busca de eliminar os sintomas e diminuir o numero de atendimentos e pois, alem de tentar remodelar os componentes do corpo, reduzem o estresse da estrutura no sistema melhorando a qualidade de vida dos pacientes

A técnica

A técnica inicia-se pela palpação local a procura dos pontos sensíveis (Tender Points), ao localizá-los coloca o segmento corporal numa maior posição de conforto, os tender points localizados anteriormente no segmento são mais aliviados em postura de flexão e os posteriores em postura de extensão. Deve-se tratar primeiramente a região de maior acumulo de tender point, e nesta localizar primeiro o central para tratá-lo.

Em pacientes ortopédicos mantém na posição de conforto por 90 segundos e os neurológicos por 3 minutos ou até perceber fenômeno de liberação miofascial (calor, tremor e vibração) e retorna a posição inicial lentamente.

Indicações e contra-indicações

O PRT é indicado para qualquer fase do tratamento, para qualquer idade em lesões ortopédicas, neurológicas e esportivas, quando se tem uma dor, associada a um espasmo muscular. Já que os principais objetivos da técnica é diminuir a dor e reduzir a tensão do tecido, além de proporcionar aumento da micro circulação, diminuição do micro edema local e da hipomobilidade articular. Devendo ser evitado em casos de fraturas ou processos de cicatrização, tumores malignos, feridas abertas e hematomas, artrite reumatóide severa e hipersensibilidade extrema ao toque.

Referências Bibliográficas

· Castro, FM; Gomes, RCV; Salomão, JR; Abdon, APV. A efetividade da terapia de liberação posicional (TLP) em pacientes portadores de disfunção temporomandibular. Revista de Odontologia da Universidade Cidade de São Paulo, 2006 jan-abr; 18(1)67-74.

· COLLINS, Cristiana Kahl; HELLMAN, Madeleine. A study on the effectiveness of strain couterstrain on the treatment of chronic ankle instability resulting from a lateral ankle sprain. Nova Southeastern University, 2010. Disponível em: http://gradworks.umi.com/33/97/3397940.html. Acesso em: 16 de Agosto de 2010.

· D’AMBROGIO, Kerry J.; ROTH, George B. Terapia de liberação posicional (PRT): avaliação e tratamento da disfunção músculoesquelética. São Paulo: Manole, 2001.

· HUTCHINSON, James R. An investigation into the efficacy of straincounterstrain technique to produce immediate changes in pressure pain thresholds in symptomatic subjects. Disponível em: http://unitec.researchbank.ac.nz/bitstream/handle/10652/1355/fulltext.pdf?sequence=1. Acesso em: 16 e Agosto de 2010.

· Korr, I. (1975). Proprioceptors and somatic dysfunction. J Am Osteopath Assoc, 74(7), 638-650.

· MORAES, Márcio Ferreira de. Terapia manual na dor miofascial. Disponível em: http://www.viaempresa.com.br/ve00208/tm_na_dor_miofascial.htm. Acesso em: 16 de gosto de 2010.